O subprocurador geral do Ministério Público de Contas, Lucas Rocha Furtado, enviou representação ao Tribunal de Contas da União pedindo seja investigam possíveis irregularidades, inclusive tráfico de influência, na contratação da empresa Globalweb Outsourcing pelo governo federal. A empresa presta serviços ao Ministério da Educação e a outros órgãos federais.

Furtado afirma que a referida empresa teria sido criada por Maria Cristina Boner Leo, ex-esposa de 
Frederick Wassef, advogado do Senador Flávio Bolsonaro, figurando o nome Bruna Boner Leo Silva, filha dela, como sócia-administradora da empresa.


Chamou a atenção do subprocurador o fato de o volume de pagamentos à empresa ter sofrido aumento considerável durante a gestão Bolsonaro. Nesse sentido, afirmou terem sido "pagos, entre janeiro/2019 e junho/2020, R$ 46.100.556,79 (aí não considerado o contrato firmado com o BNDES), contra os R$ 42.411.621,12 pagos à Globalweb Outsourcing entre 2015 e 2018 (fonte: Portal da Transparência)." 

Além disso, o representante do MP informou que Maria Cristina, após ser condenada por improbidade administrativa, está impedida de contratar com o poder público ou receber benefícios creditícios pelo período de três anos. Tal condenação ocorreu no âmbito da Operação Caixa de Pandora, que apurou o direcionamento de licitação para a contratação pela 
CODEPLAN (empresa pública do Distrito Federal) da pessoa jurídica B2BR, da qual a ex-esposa de Wassef era representante.


A despeito de  Maria Cristina não constar formalmente do quadro societário da Globalweb, Furtado ponderou que os indícios apontados levantam "suspeitas quanto à eventual prática de tráfico de influência, com vistas a favorecer empresa pertencente a pessoas que mantêm relação pessoal com a família do Presidente."


A petição será distribuída a um ministro do TCU, responsável pela relatoria do processo.



Deixe seu Comentário